Meu INSS: a transformação digital trouxe praticidade, mas ainda deixa muitos brasileiros para trás


25 de junho de 2026

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação 

Imagem: Pixabay 

Nos últimos anos, a forma de acessar os serviços do INSS mudou completamente. Filas que antes começavam ainda de madrugada deram lugar a solicitações feitas pelo computador ou pelo celular, por meio da plataforma Meu INSS.


A proposta é positiva. Hoje é possível solicitar benefícios, acompanhar processos, emitir documentos, consultar extratos e atualizar informações sem precisar sair de casa. Para milhões de brasileiros, isso representa mais rapidez, comodidade e economia de tempo.


Mas existe uma pergunta importante que precisa ser feita: essa transformação digital está atendendo a todos da mesma forma?


A tecnologia facilitou o acesso aos serviços previdenciários


A digitalização dos serviços públicos faz parte de um movimento mundial de modernização da administração pública. No caso do INSS, a mudança permitiu reduzir o número de atendimentos presenciais, acelerar diversos prnotiocedimentos e ampliar a disponibilidade dos serviços, que passaram a funcionar 24 horas por dia.


Em muitos casos, um benefício que antes exigia diversos deslocamentos hoje pode ser solicitado em poucos minutos pelo aplicativo.

Sem dúvida, trata-se de um avanço importante.


Nem todos conseguem acompanhar essa mudança


Ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita a vida de muitos segurados, ela também evidencia uma realidade: nem todos possuem condições de utilizar esses recursos com autonomia.


Muitos idosos nunca tiveram contato com aplicativos ou computadores. Pessoas que vivem em áreas rurais ainda enfrentam dificuldades de acesso à internet. Há também quem tenha baixa escolaridade, limitações visuais, deficiência ou simplesmente não se sinta seguro para realizar procedimentos digitais que envolvem documentos pessoais e direitos previdenciários.

Nessas situações, aquilo que deveria facilitar o acesso pode acabar se tornando uma nova barreira.


O risco da exclusão digital


Quando um cidadão não consegue utilizar os serviços digitais, ele pode deixar de solicitar um benefício ao qual teria direito, perder prazos importantes ou apresentar informações incompletas durante um requerimento.


Em alguns casos, a dificuldade não está relacionada ao direito previdenciário em si, mas à impossibilidade de navegar pela plataforma, criar uma conta Gov.br, anexar documentos corretamente ou acompanhar as exigências feitas pelo INSS.


Essa situação é conhecida como exclusão digital e afeta justamente parte da população que mais depende da proteção previdenciária.


O atendimento humano continua sendo essencial


A tecnologia deve ser uma ferramenta para ampliar o acesso aos direitos, nunca para restringi-lo.

Por isso, diversos especialistas defendem que o avanço digital precisa caminhar junto com a manutenção de canais presenciais de atendimento, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.


Além disso, investir em inclusão digital, acessibilidade e orientação ao cidadão também é fundamental para garantir que todos consigam exercer seus direitos em igualdade de condições.


O papel do advogado previdenciário


A atuação do advogado previdenciário vai muito além do conhecimento da legislação.

Em um cenário cada vez mais digital, o profissional também auxilia o segurado na correta utilização das plataformas do INSS, orienta sobre a documentação necessária, acompanha exigências, identifica erros no processo administrativo e evita que dificuldades tecnológicas prejudiquem o reconhecimento de um direito.


Em muitos casos, o problema não está na ausência do direito, mas na forma como ele foi apresentado ao sistema.

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